Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2018

D. Amélia dos olhos tristes...

Franzina delicada é assim a D. Amelia, está no Lar nem ela sabe como! Ou pensando bem até sabe como, o que não sabe é porquê? Ela que até tem 3 filhas não compreenderá nunca qual foi a razão que um dia sem mais nem menos desapareceu lá de casa a senhora que cuidava dela, e lhe disseram: Vista-se que vamos à Cidade, perguntas fez, as respostas foram evasivas e então quando reparou estava na instituição. Ela que até é uma pessoa dócil nunca pensou que isto lhe iria acontecer, até dizia: As minhas filhas vão cuidar de mim quando for velhinha! Agora sentada na sua cadeira de rodas em frente da televisão a ver nem sabe bem o quê, vai falando com os seus botões: Eu até que não estou a ser maltratada! Mas bem que me podiam ter dito que aqui seria a minha casa e tenho filhas! Não percebo nada. Então vai ficando cada vez mais calada, no seu canto com uma tristeza nos seus olhos que muito em breve vão ficar cada vez mais ausentes iguais aos olhos das outras senhoras que estão também vendo televisão. Ao almoço quase que não come, quando lhe pergunto: Então não come mais um pouco? Responde com um encolher de ombros e diz que não tem fome. Pois na verdade parece que não sente fome de comida, certamente terá fome de carinho e atenção, das suas coisas, da sua casa, de tudo aquilo que lhe era familiar e agora já é passado. Não me cabe a mim como voluntária, julgar as pessoas ou as atitudes que tomam em relação aos seus familiares que um dia foram levar á instituição. Só que consigo compreender a sua melancolia, o seu olhar que me inquieta e me intriga. Que pensamentos terá a D. Amélia sobre o que lhe aconteceu? E o que terá levado os familiares a tomar a decisão de a levar para o Lar? Esse é o outro lado da questão que nunca devemos julgar sem conhecimento de causa. Mas posso sempre não compreender a forma como as coisas são feitas.

1º retalho desta série.

publicado por artesã às 11:00
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3 comentários:
De Aninhas. a 24 de Janeiro de 2018 às 14:20
É que a maioria das mães pensam que os filhos/as nunca as vão levar pro lar, que grande ilusão! Só prq se desdobraram pra serem as melhores mães do mundo, mas, ainda está pra nascer a melhor mãe do mundo! A minha irmã é uma dessas mães, tem um filho, uma nora, 2 netos! E, acha que nunca irá pro lar, prq ela dobra-se e desdobra-se, anda a cair aos pedaços já com 70 anos, da td o que tem, está praticamente numa miséria, eles a fazerem vida além das possibilidades! Eu digo a minha irmã, vais pro lar como eu hei-de ir, vamo-nos lá juntar! Prq eu já digo à minha filha, qdo eu não estiver em condições de estar sozinha na minha casa, leva-me pra um lar, prq não quero empatar a vida de ninguém. Prq eu não vivo de ilusões! Os meus pais não foram pro lar prq morreram mto cedo. Caso contrário a minha irmã era a primeira a sacudir com eles. A vida é assim, crianças prós infantarios,velhos prós lares.


De artesã a 24 de Janeiro de 2018 às 17:29
Olá Aninhas obrigada pelo comentário, eu cuidei dos meus pais até ao fim. (era a única filha que tinham) mas já ñ estou esperando que me façam o mesmo, até porque eu não quero. Sou muito independente e alem disso estes tempos são outros, como sou voluntária num lar não me assusta a ideia de para lá ir. Claro que num mundo ideal nada melhor do que a nossa casa mas esta é a realidade actual. nas minhas andanças de voluntária, o que me provoca inquietação, não são as pessoas na instituição mas sim os familiares que se esquecem de os visitar. claro que nem todas as pessoas são abandonadas mas acontece com alguma frequência,então cabe-nos a nós amenizar um pouco esse abandono. Beijinho


De Aninhas. a 24 de Janeiro de 2018 às 21:25
Como eu costumo dizer, é a ordem natural da vida! Mas, há pessoas que não compreendem ou não querem compreender! Bjnho.


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